Até parece piada, por ter feito uma rima, mas o que é facto é que de piada não tem nada, mas de sabor, aiiiiiii.

O Post it Amarelo partilho mais uma das suas receitas comigo e eu achei que devia partilhar convosco. Aqui fica.

“Gosto de cozinhar.

Feriado em casa é automaticamente sinónimo de mais tempo para espreitar os food blogs da moda ou para me perder entre páginas, nos livros de culinária que abundam por cá. Uma vez por outra, apetece-me recriar os pratos que nos fazem babar nos bons restaurantes. Quase sempre tradicionais, quase sempre numa linha de aperfeiçoamento: o melhor arroz de pato ou um bacalhau à brás que não seja enjoativo. Depois, sobretudo à noite, ou com o calor, quero uma salada de frango que me saiba pela vida, ou uma combinação de vegetais que convença a família (são difíceis). Uma sopa diferente – no ano passado, andava louca por um caldo de caril que só eu e o meu irmão verdadeiramente apreciámos. Na maioria das vezes, porém, limito-me a inventar. Empadão de pato, com couve-flor em vez de batata, ou um risotto de cogumelos com um creme de soja capaz de fazer qualquer um delirar.

Hoje, todavia, quis algo simples e que enchesse as medidas do matulão de metro e noventa que se juntou ao meu almoço. Hambúrguer com batatas fritas, o que mais? Fast food, but not so fast at all. Quarenta minutos para tudo, ingredientes frescos e um mega cogumelo portobello em vez da carne (para mim, que ele tem ainda muito receio da mudança). E eis o resultado:
As batatas:
Cortar em fatias gordas, de forma grosseira, depois de bem lavadas. Deixem a casca, poupa-vos trabalho e ficam perfeitas na mesma. Sal e pimenta no fim, as usual. 
A salada:
Tomate, pepino, alface (gosto daquela meio arroxeada nas pontas – não me lembro do nome) e nectarinas. Sim,nectarinas. Doces, suculentas e capazes de um toque inesperado numa combinação normal, temperada apenas com vinagre, quase nada de azeite, orégãos e sal grosso.
O ‘hambúrguer’:
Comprar pão daquele que não sabe a nada, mas que tem as sementes em cima, a lembrar os macdonalds desta vida. Reservar para mais tarde.
Lavar bem o cogumelo, besuntá-lo com tomate triturado e muito manjericão. Juntar uma colher de sobremesa demostarda e uma pitada de sal. O grelhador deve estar a aquecer ao lume, durante todo o processo. O cogumelo demora menos de cinco minutos a ficar no ponto, com algumas voltas pelo meio, para ficar bem passado e cheio de riscas dos dois lados. Vão esmagando com um garfo até estar bem fininho.
Já ouviram falar de fazer muita coisa ao mesmo tempo? Pois bem, esta é a receita ideal para o colocarem à prova. Enquanto o cogumelo ganha sabor no molho, e já depois de estar na grelha, deixem uma frigideira ao lado, com um fio de azeite (um fio real e não os rios de azeite que se vêem nos programas de TV) e passem por lá a cebola, cortada em tirinhas finas, até ficar translúcida. Juntem-lhe duas rodelas de beringela, quase sem espessura.
Estamos quase no fim! O cogumelo sai da grelha e entra o pão, que vai absorver os restos de tomate e ficar bem tostado, como se fosse outro. Não se esqueçam de colocar as duas fatias (de cima, e de baixo). Juntem-lhe uma fatia de queijo e sejam generosos aqui. Não é a este ponto da refeição que se vão preocupar com as calorias. Batatas fritas lá em cima, lembram-se? Usei daquele queijo que cortamos nós da bola, flamengo normal. Cortei o mais fino possível, que é sempre muito mais do que as fatias pré-cortadas. Suficiente, por isso! E não lamentavelmente triste como o outro (para este efeito, pois está claro). Ora o queijo vai para cima do pão, e é pressionado pelo garfo novamente. Lá fica até derreter, já com o cogumelo em cima. Quando o queijo começar a escorrer para o grelhador, está mais do que na hora de o passar para o prato.
Então, montar: pão, queijo, cogumelo, duas rodelas de tomate, beringela e a cebola dourada. Pão em cima, e um palito para agarrar tudo. Et voilá.
Quem precisa de ir comer fora?
E, a sério, quem precisa da carne aqui?”