Como fazer gaspacho rápido

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Sempre que falo de gaspacho lembro-me sempre da menina Maria Ribeiro. Desta vez vou repetir um pouco a história, mas ampliá-la nos pormenores!
Quando era miúdo lembro-me de ir para casa da Menina Maria Ribeiro.
A Maria Ribeiro nessa altura já devia para aí ter uns 50 anos. Morava na Rua dos Prazeres num terceiro andar sem elevador. Nessa altura quase não havia elevadores! Só os prédios mais modernos construídos na Avenida de Roma, em Alvalade ou em Campo de Ourique. Muitos desses prédios foram construídos pelos “patos bravos”. Construtores e empreiteiros vindos da zona de Tomar que tiveram um papel importante na construção da Lisboa moderna dos anos 50/60.
Nesses tempos, tal como hoje arranjar habitação para os mais jovens em princípio de vida não era tarefa fácil!
Na altura quase todas as casas eram para alugar com rendas controladas pelo estado que raramente permitia aumentos. Comprar casa, era para os mais endinheirados! Só a partir de meados dos anos 70 com os créditos à habitação, passamos a ter a mania que temos casa própria, com os bancos como novos senhorios!
Naquela altura muitos casais vindos da província vinham para Lisboa trabalhar para as fábricas com ordenados muito baixos construíam a sua barraquinha nos chamados bairros da lata, nas imediações das fábricas onde trabalhavam, como era o caso do Bairro Chinês Na Zona Oriental Lisboa, outros com salários um pouco melhores moravam em quartos, alugados com serventia de cozinha. Casa de banho, poucas tinham, era mais uma pia em pedra situada junto à cozinha para onde se deitavam os restos dos alimentos. Ainda havia as mais sofisticadas com uma tábua por cima a cobrir a pedra a toda a volta como uma moldura! para fazer as necessidades. Banheira? Chuveiro? Tomar banho? Só ao sábado com água aquecida na panela deitada num alguidar grande no meio da cozinha!
Entretanto conforme os maridos iam ganhando e ficando mais “abastados”, conseguiam então alugar uma casa para o casal, ou partilhando com outra família!
No caso da Menina Maria Ribeiro dividia o espaço com os cunhados ela com um filho e a cunhada com uma menina. Eram 4 quartos. A sala, a cozinha e a casa de banho eram espaços comuns.
A cozinha cheirava sempre a chulé. Era o cheiro do queijo de Alcafozes, uma aldeia beirã perto de Castelo Branco, malcheiroso, mas muito saboroso! À parte do queijo, o senhor Manuel que era o marido da menina Maria, era um beirão da Beira Baixa que no verão comia quase todos os dias gaspacho! Na altura só os ricos é que tinham frigorífico. O senhor Manuel trabalhava de manhã como carteiro e à tarde era arrumador no Cinema Palhinhas que assim se chamava pelas cadeiras todas feitas em verga! Estão a ver aquelas cadeiras que agora usamos nos alpendres nos terraços ou em casa com encosto para os braços. Era assim o Jardim Cinema, que ficava num primeiro andar. Por baixo um salão de jogos enorme, com bilhares, matrecos, ping pong e mesas onde se jogava às damas, dominó e xadrez! Durou até1980 na Avenida Álvares Cabral em Lisboa.
Voltando ao senhor Manuel e ao gaspacho, que tinha na cozinha um peal de pedra com uma infusa de barro de água sempre “fresquinha”.
Então era vê-lo de tarde, nos dias de folga do cinema a preparar o seu gaspacho beirão.
Era assim como um ritual cortando em pedaços pequenos, o pepino o tomate e os pimentos para uma malga que depois cobria com a água fresca, temperava com sal, azeite e tapava com um pano branca para depois colocar peal para refrescar. Quando chegava a hora de refeição cobria a base do prato fundo com fatias de pão muito fininhos e vertia-lhe o gaspacho por cima! Este era um gaspacho pobre. No Alentejo era parecido. Os mais ricos, que também gostavam de gaspacho, metiam tudo lá dentro, desde o presunto até aos bagos de uvas.
O gaspacho à espanhola é diferente. A base é o tomate bem maduro e como o nosso leva pepino e o pimento, só que é tudo passado. Fica assim como um creme vermelho frio, que depois é temperado a gosto, comido com cubinhos de pão torrado!
Eu como não gosto de pepino raramente como.
Entretanto tinha ido aquele centro comercial ali para os lados do Parque Eduardo VII com um acesso espetacular que mais parece o “poço da morte” na feira popular, com voltas e mais voltas sempre à roda!
Fui lá com o Zé trocar umas roupas, aproveitei também para comer umas tapas e ir ao supermercado onde vi um gaspacho suave sem pepino, daqueles vindos de Espanha.
Comprei uma embalagem e comi-o bem temperado.
Para enriquecer a sopa:
Da embalagem coma o gaspacho que lhe apetecer Queijo fresco cortado em cubos. Se não quiser ter muito trabalho, desfaça o queijo com a ponta dos dedos Cubinhos de pão torrado, também com o nome pomposo de crotons, à venda em qualquer loja.
Orégãos, à falta de frescos comprei um pacotinho.
Umas folhas de manjericão picadas
Um fio longo de azeite
Tudo isto eu fiz no prato para ficar mais bonito!
Se não for só para si, deite o pacote inteiro do gaspacho num recipiente e misture tudo duma vez!
Guarde só umas folhinhas de manjericão para enfeitar o prato no final!
Bom proveito!
Se gostar mais com sabor a pepino? Compre o outro gaspacho e junte, pequenos pedaços de pepino e manjericão!
Vai adorar!!!

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