Eu sou um apreciador exímio de piripíri e consigo comê-lo com quase tudo. Desde peixe cozido, à feijoada e aos caris, passando mesmo pelos doces, bolos e licores.

Para mim, a melhor forma de o consumir não é em molhos com azeite ou com whisky, é fresco ou seco, cortado e picado no prato com ‘grafe e faca’, e depois misturado na comida. Também gosto de usar as vagens diretamente no tacho, mas agora, com crianças em casa, já não dá.

 

Piripíri
Diego Álvarez Chanca, médico a bordo da segunda expedição de Colombo (1493), embarca as primeiras plantas de Capsicum rumo a Espanha, onde em 1494 escreve sobre os efeitos medicinais observados destas plantas.

Origem:

O piripíri, ou pimenta-malagueta, é uma variedade de Capsicum frutescens muito utilizada em Angola, Cabo Verde, Brasil, Moçambique e Portugal. É conhecida por outros nomes como gindungo, maguita-tuá-tuá, ndongo, nedungo e malaguetas maiores. Normalmente, são usados secos para condimentar carnes ou preparar molhos ardentes.

Estas malaguetas foram introduzidas na Europa e na Índia nos séculos XV e XVI, quando os navegadores portugueses chegaram à América Central. Reza a história que era cultivado no Peru e México desde tempos pré-históricos e que foram descobertas nas Caraíbas por Cristóvão Colombo.

Curiosamente, os exploradores do Novo Mundo confundiram o calor ardente da malagueta (Capsicum) com pimenta preta, atribuindo um nome incorreto à sua descoberta para a confusão das gerações futuras. As malaguetas têm sido cultivadas na América do Sul e Central por mais de 9000 anos e eram utilizadas para decoração, como medicamentos e para temperos.

Benéficos para a saúde:

Alivia a dor
A capsaicina tem capacidade para reduzir a inflamação de dores relacionadas com artrite reumatoide, fibromialgia e dores de cabeça, uma vez que funciona como analgésico e anti-inflamatório;

Ajuda a prevenir o cancro
Os efeitos anticancerígenos e quimio-preventivos da capsaicina estão associados à sua capacidade de prevenir a proliferação e a migração celular, bem como de travar a propagação das células tumorais;

Piripíri
O piripíri contém vários medicamentos naturais.

Melhora a imunidade
A presença de vitaminas A, E, C no piripíri, melhora a linha de defesa do corpo humano;

Melhora a saúde do coração
As culturas que comem regularmente alimentos picantes são significativamente menos propensos a sofrer um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral;

Ajuda a perder peso
Consumido nas refeições, o piripíri estimula a perda de apetite nas seguintes para além de consumir energias acumuladas em forma de gordura corporal. O piripíri aumenta também a temperatura (termogénese) do corpo e, para dissipá-la, o organismo gasta mais calorias;

Estimula o humor
Alimentos picantes aumentam a serotonina no cérebro, o que nos faz sentir mais felizes. A serotonina também ajuda a relaxar e a aliviar o stress;

Melhora a qualidade do sono
Estudos têm demonstrado que pessoas que consomem piripíri regularmente, desfrutam de um sono melhor e por mais tempo;

Ajuda na digestão
Estimula as secreções do estômago e favorece a cicatrização de feridas/úlceras ao estimular a circulação no estômago;

Pressão alta
Como tem propriedades vasodilatadoras, o piripíri ajuda a regular a pressão arterial.

Sabia que?

  • Por mais estranho que pareça, as malaguetas inserem-se na família Solanácea juntamente com os tomates e batatas;
  • Para acalmar uma boca ardente de malagueta, beba um copo de leite frio;
piripíri
Molho de piripíri
  • O picante da malagueta provém da sua polpa, e não das sementes como amplamente se acreditava;
  • Não pode esfregar os olhos depois de tocar numa malagueta, pois a capsaicina pode queimar mesmo em pequenas doses;
  • O nível picante da malagueta pode depender de onde ele é cultivado – geralmente, quanto mais quente o clima, mais picante é a malagueta;
  • A planta é usada como matéria-prima para vários remédios que aliviam dores musculares e reumatismo, desordens gastrointestinais e na prevenção de arteriosclerose;
  • Um estudo recente da Universidade de Vermont analisou dados de mais de 16 mil americanos, correspondentes a inquéritos alimentares feitos ao longo de 19 anos. Durante esse período, perto de 5 mil morreram. Os investigadores concluíram que os que ingeriam mais malaguetas picantes tinham 13% menos probabilidade de morrer do que os que não incluíam este alimento na sua dieta, o que corrobora um outro estudo realizado na China. Os responsáveis pelo estudo especulam que a capsaicina seja responsável por aumentar o fluxo sanguíneo ou até mesmo alterar positivamente as bactérias existentes nos intestinos;
  • Quando ingere o piripiri, a capsaicina ativa recetores sensíveis na língua e na boca, transmitindo ao cérebro uma mensagem primitiva e genérica de ardor. O cérebro responde, tentando apagar o ‘fogo’: começa a salivar, a face transpira e o nariz fica húmido. Sem qualquer dano físico real, o cérebro começa a fabricar endorfinas que permanecem algum tempo no organismo, provocando uma sensação de bem-estar, uma euforia, um estado alterado de consciência muito agradável, causado pelo ‘banho’ de morfina interna do cérebro.