Bife à Cervejaria do Cais (na minha versão)

Se eu fizesse este bife fritava-o em azeite, alho e louro. Depois de frito, tirava-o da frigideira e reservava, entretanto, juntava ao molho um pouco de natas, café ou molho inglês e depois de apurado salpicava com um pouco de casca de laranja ralada, mexia muito bem e pronto, punha o bife no prato com o molho por cima. Este vinha decorado com meia pêra e um raminho de alecrim, eu prefiro quando vem com uma rodela de laranja, gosto mais.

Cervejaria do Cais na Barquinha à beira do Tejo

Gosto bastante deste restaurante/bar/cervejaria. Tem uma série de petiscos, mas eu vou lá sempre para comer o bife com molho à casa e umas batatas fritas únicas, de comer e chorar por mais. Desta vez também tinha caracóis excelentes picantes mas com falta de sal. Como uma desgraça nunca vem só, tem umas cervejas diferentes do habitual e uma imperial que só bebo ali, espetacular.

Cervejaria do Cais na Barquinha à beira do Tejo

Cervejaria do Cais na Barquinha à beira do Tejo

Lembranças de Vila Nova da Barquinha

A Barquinha é uma vila no Ribatejo onde eu, quando era miúdo, passava alguns verões e muitos natais em casa da tia e madrinha da minha mãe, a tia Albina, casada com o mestre alfaiate de seu nome Chegadinho. Tinham uma vivenda solarenga de primeiro andar com frescos nas paredes de motivos ribatejanos, a casa era linda situada na parte baixa da Barquinha, que fica a uns 800 metros de distância do Tejo e para aí a dois metros acima do rio. Todos os anos havia cheia, o tejo subia e inundava todas as casas. Sempre que chegava o Inverno, a minha tia tirava tudo do rés do chão para o andar de cima à espera da cheia, tinha até no primeiro andar um ancoradouro com uma argola para prender os barcos. Eram outros tempos, não havia quase barragens e quando vinham as águas, vinham lentamente, deixavam as terras férteis para a agricultura. Hoje, as ditas represas em Portugal e Espanha, aguentam as águas até não poder mais e aí, abrem as goelas sem avisar levando tudo pela frente.

A Barquinha era um terra muito sossegada onde não se via vivalma, uma pasmaceira (toda a gente tinha ido viver para o Entroncamento). No verão, valia-me o tanque na quinta da minha tia do outro lado da rua para uns banhos depois da digestão que, para a minha mãe, era de pelo menos quatro horas. Ao fim de semana havia a Praia dos Tesos (os ricos iam para a Nazaré) em frente à Barquinha na margem com areal do lado da Carregueira. Tínhamos de passar de barco, nós e os burros carregados que vinham da Carregueira vender à praça da Barquinha. Os barcos eram de fundo chato, chamavam-lhes os Cagaréus, eram os barcos dos pescadores que, fora das horas da pesca, faziam uma perninha a atravessar o pessoal para a outra margem. A travessia, embora muito curta, metia medo com tanto peso em cima do barco e com a água quase a entrar. Chegados à outra margem com o farnel, era um dia inteiro de sol e banhos, tirando o tempo da digestão, claro. Ao fim da tarde lá regressávamos, para meu desgosto, mas no domingo lá estava outra vez, agora sem burros.
Outro divertimento na terra era ver passar os comboios a vapor, alimentados a lenha, a caminho da Beira Baixa. No verão, sempre que ele passava a deitar fagulhas, gerava quase sempre pequenos fogos prontamente apagados pelos bombeiros lá da terra.
O outro acontecimento era a festa de verão, onde em dois fins de semana iam cantar os melhores artistas portugueses. Foi lá que vi ao vivo a Madalena Iglésias, o António Calvário a Tonicha, o Artur Garcia e muitos outros, era um festival cheio de gente, quase como o Rock in Rio :), um êxito!!!

No Natal era terrível o frio com a água congelada nos canos, só se estava bem na cozinha, junto do fogão a lenha ou perto das braseiras distribuídas pela casa. Um dia, vinha a correr e aterrei com uma mão dentro de uma delas, foi muito mau, andei montes de tempo a caminho do hospital a tratar das queimaduras, mas mal passou lá continuei a correr pela casa novamente.

A Nova Vila Nova da Barquinha

A Barquinha é hoje uma terra muito diferente, está na moda. Este(s) autarca(s) tem feito uma obra excelente, com uma série de infraestruturas e um jardim enorme junto ao rio, onde antes era um terreno alagadiço, cheio de obras de arte de escultores contemporâneos com uma arquitetura paisagística fantástica, e não só.

É ao fim da estrada, entre o jardim e a beira do Tejo, que fica o restaurante Cervejaria do Cais.

Cervejaria do Cais na Barquinha à beira do Tejo

Cervejaria do Cais na Barquinha à beira do Tejo

Cervejaria do Cais na Barquinha à beira do Tejo

Barquinha à beira do Tejo

Cervejaria do Cais na Barquinha à beira do Tejo