A mulher na sala e na cozinha

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A mulher na sala e na cozinha
Mais um dos meus livros de culinária.
Este, além das receitas, explica como é que as donas de casa nos anos 60 “deviam” proceder na decoração da mesa, não só nas alturas de festa como também no dia-a-dia para agradar à família e às visitas! ???

14° Edição datada 1961
Um livro de culinária da Editorial Lavores da autoria de:
Laura Santos

Toda a dona de casa, mesmo no lar mais modesto, deve sentir prazer em embelezar a mesa à volta da qual se reune a família, à hora das refeições.
Não terá que atender só aos dias de festa, aos jantares de cerimónia ou às receções de visitas.
Para o bem estar dos seus, a dona de casa procurará sempre trazer novos atrativos ao lar e, consequentemente, à sua mesa das refeições, tornando-a quanto possível agradável, dando-lhe um ambiente simpático e alegre.
Diz-se, e com razão, que nada predispõe melhor o apetite como a apresentação de uma mesa bem posta, alegremente florida, embelezada com as melhores porcelanas e os mais rutilantes cristais.
Porque não havemos de procurar então, mesmo sem pretender efeitos de esplendor e riqueza, mas num género modesto, consoante as posses, dar à nossa mesa de família um ar alegre que abra o apetite e torne os diversos pratos como que mais saborosos?
Uma dona de casa avisada, principalmente não tendo ainda a suficiente experiência que lhe garanta um seguro efeito dos pratos que confeciona, não deverá pôr de parte este estratagema da decoração da mesa, para desculpar, em parte, uma ou outra falta de preparação culinária.
Mais felizes são aquelas que reúnem a esta habilidade e gosto de apresentação, a arte da boa cozinha. Assim se sentirão autoras de uma parte importante de felicidade existente na sua casa.
Para umas e outras, reunimos nesta secção do nosso livro algumas sugestões para a ornamentação da mesa, seguindo-se a estas, alguns conselhos quanto à forma de cozinhar os alimentos – conselhos que julgamos de grande importância, indicados pela experiência, que não é, nem pode ser. pois que ninguém nasce ensinado – o apanágio de todas as donas de casa, principalmente das principiantes.
A culinária é essencialmente uma arte e terá que constituir sempre um dos predicados da mulher que não deseje abdicar do seu valor, a despeito de tudo o que se possa dizer e pensar, a despeito de todas as correntes materialistas e ideias de emancipação, nem sempre bem definidas. Talvez não seja este o lugar próprio para tanto, mas nem por isso queremos deixar de afirmar: de um modo geral, em nenhum lugar a mulher poderá mais e melhor afirmar o seu valor do que no governo do seu lar.
É pois para este fim que desejamos contribuir, ajudando e aconselhando, na medida do possível e do que a experiência nos ensinou.
São tantas as dificuldades da época que atravessamos, que até mesmo as donas de casa mais experientes se vêm embaraçadas com a resolução dos difíceis problemas da economia doméstica, entre os quais certamente avultam os relacionados com a preparação das refeições diárias.
Dedicamos esta secção do nosso livro especialmente às nossas leitoras menos experientes, às futuras donas de casa, e às que lutem com maiores dificuldades.
Queremos ajudá-las a afastar desânimos que nada resolvem, a vencer as contrariedades do dia a dia, com as habilidades de que a boa dona de casa deve saber servir-se em todas as ocasiões difíceis.
Defendendo o seu lar contra o desânimo e aquela sensação de desconforto que se sente num lar onde entrou o desleixo ou a indiferença creia, leitora que estará defendendo a sua própria felicidade. Aprenda a poupar na medida do possível, prescindindo de certas futilidades absolutamente supérfluas.
Se tiver saúde, procure trabalhar por prazer na conservação da boa ordem, asseio e economia da sua casa. O trabalho feito com prazer, faz-se com muito menos esforço.
Nesta ordem de ideias, procurando contribuir para a elucidação das futuras donas de casa e daquelas que tenham menos prática de culinária, escolhemos algumas ementas de fácil composição e à base da economia, destinadas às refeições diárias.
Começamos pela ementa – durante uma semana – para um casal modesto.
Na mesa, uma toalha de quadrados de cores alegres e bonitos sacos para os guardanapos; uma cestinha para o pão, coberta com um «naperon» de organdi, uma taça com fruta, uma cantarinha de barro com água fresca, copos, pratos, talheres, etc.
A sopa pode ser servida nos próprios pratos ou nas modernas tigelas, dispensando a terrina, mas, quando a trouxer para a mesa, já a travessa do segundo prato deve estar devidamente preparada.
Se se servir doce, deve colocá-lo num móvel próximo da mesa de jantar, e bem assim as respetivas taças e colherzinhas, evitando, deste modo, o inconveniente de estar sempre a levantar-se.

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