Que é uma forma de dizer, vamos fazer tudo ao mesmo tempo! Não sei se partilham da minha opinião, mas, por vezes, sinto-me um bocado farta destas oportunidades de provas de vinho que não passam de um grupo de pessoas de copo na mão, a provar, provar, provar…

Acho que não devemos desperdiçar algo tão socialmente rico como um bom copo de vinho, num exercício de partilha com… mais copos. Por isso, cá vai uma sugestão de algo mais sinérgico. E já agora, não sejam egoístas, enviem-me as vossas sugestões de programas giros que podem ser melhorados com um momento do zen ao frenético, gerado por um copo dum bom vinho.

 

Susana Protásio - Mérida
Apresentação da peça “Viriato Rei” de João Osório de Castro, encenada por João Mota, numa edição anterior de festival.

Festival de Teatro Clássico de Mérida

Se nunca teve a oportunidade de acompanhar uma das apresentações do Festival de Teatro Clássico de Mérida, inclua esse objectivo nos seus meses de verão. E… não diga a ninguém que nunca ouviu falar deste festival.

Pode optar por acompanhar o espetáculo de abertura, com o Ballet Nacional de Espanha a dançar Electra, ou acompanhar apresentações teatrais que vão de Nero às Amazonas, de Hipólito à Comedia do Fantasma, uma obra de Plauto que já antevia o papel demolidor da primazia do dinheiro. Ou envolva-se nos amores impossíveis e devastadores de Fedra. Mas não deixe de ir. Sente-se no anfiteatro romano, e deixe-se levar até muitos séculos atrás, embalado pela brisa quente das noites ‘extremeñas’.

A participação portuguesa neste programa é recorrente e, este ano, poderá desfrutar da apresentação da peça ‘Não nasci para odiar, mas para amar’, na programação “off” do Festival. Já apresentada no Teatro Romano de Lisboa e dirigida por Tiago Vieira (Produções Independentes), esta peça estará em cena a 27 de julho no Templo de Diana de Mérida.

 

 

E falando de copos

Uma vez em Mérida, não perca a oportunidade de visitar a adega Viña de Santa Marina e fazer uma prova dos seus vinhos.

Vinhos Mérida
Vinhos da adega Viña de Santa Marina

Fugindo à tradição local de fazer tintos exclusivamente de tempranillo (a nossa tinta roriz), que aí se chama de cencibel (e no Alentejo se chama aragonês), oferece-nos vinhos criativos e bem feitos a um preço excecional. Se procura a melhor relação qualidade/preço, sugiro-lhe o Equus mas, se procura um topo de gama, não hesite e atire-se de cabeça ao Miraculus.

E para quem acha que vinho não é só tinto (e não vou divagar sobre esse “conceito”, terei ouvido “burrice”?), não perca a oportunidade de provar o rosé de merlot , medalha de ouro no  concurso Asia AIN Wine Challenge 2017, ou o colheita tardia de viognier, único em Espanha, ambos produzidos pela mão de Maria Angeles Castilla e de Yolanda Piñero.

 

De resto, deixo ao seu critério explorar a restante oferta da região.

Não deixe de passar pela Casa Carloto, o Cash de Mérida logo à entrada da cidade, onde encontrará uma excelente oferta de presunto e enchidos, ou os melhores queijos da Extremadura: Torta del Casar (ovelha), Tortita da la Serena (ovelha) ou o Ibores (cabra).

Se em algum momento o vinho, a comida, a cultura e o calor lhe entrarem nas veias, refresque-se no Balneário de Alange. Os romanos já lá estiveram e, ao que parece, há tantos anos atrás, eles já conheciam os prazeres de se entregarem a fazer… nada, tal como o impacto renovador duma estadia nas termas.