Quando compramos um vinho, procuramos qualidade. Mas a que corresponde este conceito?

Na indústria costuma definir-se qualidade como a capacidade de cumprir integralmente uma determinada função de acordo com as expectativas e a um custo mínimo. Mas como se define a função, as expectativas e o custo que estamos dispostos a pagar quando o objectivo é o prazer?

Um vinho é uma decisão de concordância e de oportunidade em cada momento. Entre dois quadros que nos agradam podemos decidir que um fica melhor na sala e outro no quarto. Em matéria de música, podemos escolher uma ‘rockalhada’ para uma festa e um requiem para um funeral. E também não usamos o mesmo vinho para acompanhar uma refeição diária ou um banquete, nem para celebrar um nascimento ou para nos confortar num momento de tristeza e solidão.

Mas acresce que, quando compramos um vinho, não o podemos provar como as cerejas, e acabamos por nos apoiar em guias, revistas de especialidade, na informação de prescritores como críticos de vinho, clubes ou garrafeiras, na opinião de amigos ou na nossa própria memória de vinhos que nos agradaram.

Só que a nossa memória já não é o que era e a informação a reter sobre um vinho é muito lata (ano de colheita, se era o reserva estagiado em madeira, qual era a casta no caso dum varietal). Frequentemente apenas retemos o rótulo mas acabamos por encontrar vários com um design semelhante. A opinião do amigo também já se baralhou na nossa memória e duvidamos se ele é assim tão entendido ou gosta apenas de se exibir. Apoiamo-nos também no nome dum produtor que seja reconhecido mas depois não estamos seguros se é conhecido pela qualidade dos vinhos ou pelo investimento em marketing.

E os guias de vinhos (que já são mais que muitos) apoiam-se em quê? Na opinião exclusiva do autor, na opinião consensual de um grupo de peritos ou no prestígio de determinada marca?

Pois é, uma confusão, uma difícil gestão e tão frequentemente um mau resultado. Mas se é verdadeiramente um apreciador, não se esconda atrás de marcas que retém na memória ao longo dos anos. Não há nada mais aborrecido que a segurança.

No mundo dos vinhos há tantas novidades e experiências novas a oferecer que vale bem a pena arriscar. Não se esqueça que a escolha de um vinho é, acima de tudo, pessoal.

Prove muito e beba apenas o que gostar e estiver disposto a pagar.